Dois anos, dois anos de muitos lábios envolvidos em salivas abundantes, palavras de comprometimento, toques iluminados, cheios de candura, pureza dentro do espaço existente na alma, na verdade Isadora jamais se esqueceu das palavras que geravam ápices de adrenalina no seu interior:
_ minha alma ama a sua alma! Minha alma pertence, hoje, á você.
Isadora vivera tudo o que não tivera no matrimônio, longas conversas, olhos que repousavam nos seus, infinitas ligações, sorriso gerados pelo nada, contemplação de poros, de fato que ela quando escutava o toque do seu celular era arrebatada por uma euforia embriagante, a música ficara associada como sinal da presença de seu amado, assim seu coração acelerava, à hora do dia que mais lhe causava o deslumbre da satisfação, mãos geladas, ansiedade, o repetido toque do celular anunciava o inicio, à saída na porta de sua vida amargurada, à chegada ao grandioso portão do intenso viver, tudo era muito límpido, puro, leal e pleno. Isadora não, em nenhum momento esperava pelo fim ou falta de consolidação, talvez pelo seu senso inconseqüente, sonhador, achar que isso não iria durar a vida toda, foi um pensamento que Isadora jamais ousou cogitar em ter. Deslumbrantemente, desfrutava de cada momento e quando não estava com seu amado, sobrevivia das lembranças desses mesmos momentos, tudo isso poderia ser um sonho aos seus olhos, já que não detinha a idéia das conseqüências que isso poderia ter em sua vida e na dos demais.
Quando o telefone tocava, Isadora era tomada por uma onda de alegria, mas não foi o que ocorreu naquela manhã:
_ Alô!
_Quem fala?
_Com quem estou falando, com quem você quer falar?
_Você conhece o João Victor?
Alguns segundos de silencio tomaram Isadora, o coração teve uma estranha sensação de queda, (quem mais poderia saber do seu envolvimento com o João Victor?)
_ Alô!Alô!
_ sim, alô!
_ e então, você conhece o João Victor?
_sim, conheço?
_ então é isso, você é a nova amante dele, é você a mulher com quem ele está saindo?
_ Não sei do que está falando?
Subitamente Isadora desliga o telefone. Não poderia ser. Ele também tem um alguém e agora esse alguém descobriu onde ficava o seu mundo particular, onde ela contemplava aquilo que considerava um mundo á parte do mundo real em que vivia. De repente ela foi tomada pela instabilidade como nunca, jamais tivera. O que deveria ser feito em momentos como esse, como agir? Sumir, brigar, correr, chorar ou enfrentar a situação como uma dissimulada, como seria para Isadora ser dissimulada?Já ouvira falar dessa atitude, mas jamais a praticara, talvez por falta de situações como essa, enfim, algo precisava com urgência de respostas fáceis. Isadora seguiu o impulso do instinto, ligou para João Victor! O telefone toca, toca, toca, toca, ninguém atende (ele deve não ter visto a ligação) novamente! O telefone está desligado. É o fim. Alguma coisa explodiu, ela precisa saber o que está prestes a acontecer em sua vida e o único que tem essa resposta é ele, os pensamentos se batiam dentro de sua cabeça como pessoas correndo de um lado para outro em um momento de desespero, um alvoroço incomum, ela sai de casa, mãos tremulas, o coração parece que não bate e se bate, ela não o sentiu, seu corpo se paralisa, em busca das respostas, ela desfoca sua visão, tudo está perto demais e ao mesmo tempo muito longe, uma gota de chuva que está no telhado cai na cabeça de Isadora, isso consegue fazer sua mente pensar( pensa que a vida está em constante movimento e que nada vai parar pra poder ver a sua situação), ela então entende que se não há pessoas, o problema não se encontra ao seu lado ( uma forma de ignorar, sentir menos dor) cinco minutos se passaram, Isadora sai e vai ao café da esquina, o tempo chuvoso, faz com que ela deseje uma cama para se aconchegar, mas mesmo assim se dirigi ao café, senta na cadeira que fica ao lado do balcão, pedi um café com chocolate, então de repente, como um flash, algo inesperado!Isadora ver Victor passando de mãos dadas com uma mulher, é a sua esposa, Isadora descobre da forma mais abrupta que nunca jamais fora a mulher da vida de Victor, volta o olhar para mesa, fixa os olhos na espuma que o café expresso faz ao redor da xícara, termina seu café e pede um outro:
_ um café forte! E uma carteira de cigarros, por favor!