quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Minha fé




Louvado seja! Louvado seja qualquer criatura que crer
Há os que crêem que suas vozes ecoam no firmamento, num soberano
Outros se deitam diante do trono, de um manto, de um semideus
Em outros paira o encanto, buscam no canto a graça de um deus

O desespero leva as promessas, pra que prometer o que não vem de você?
Caduque com seus contos, não profanados, rebuscados, fadados
Merecidamente se ame, isso no intimo, fortalece, aquece
Causando de fato um parecer, um estender, sem maldizer

O nada se transfere, de novo e de novo, se propaga até você crer
E se você crer, é que precisava disso, daquilo, não sei de que
A tarefa é não perder o sentido, o objetivo, mas de que?
Inventam, reinventam, modificam, eu nada espero do nada acontecer

Palavras sempre são ditas, boca á fora, fora ao ver
Durante noites, malditos! Maldito sopro a meu ver
Cresce a cria crendo em tudo, fé, fenômeno, falecer
Grita em dor, voz blasfemando, por aquilo  e o que não ter

Flavia Mello
23/02/2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O primeiro cigarro



Dois anos, dois anos de muitos lábios envolvidos em salivas abundantes, palavras de comprometimento, toques iluminados, cheios de candura, pureza dentro do espaço existente na alma, na verdade Isadora jamais se esqueceu das palavras que geravam ápices de adrenalina no seu interior:
_ minha alma ama a sua alma! Minha alma pertence, hoje, á você.
Isadora vivera tudo o que não tivera no matrimônio, longas conversas, olhos que repousavam nos seus, infinitas ligações, sorriso gerados pelo nada, contemplação de poros, de fato que ela quando escutava o toque do seu celular era arrebatada por uma euforia embriagante, a música ficara associada como sinal da presença de seu amado, assim seu coração acelerava, à hora do dia que mais lhe causava o deslumbre da satisfação, mãos geladas, ansiedade, o repetido toque do celular anunciava o inicio, à saída na porta de sua vida amargurada, à chegada ao grandioso portão do intenso viver, tudo era muito límpido, puro, leal e pleno.  Isadora não, em nenhum momento esperava pelo fim ou falta de consolidação, talvez pelo seu senso inconseqüente, sonhador, achar que isso não iria durar a vida toda, foi um pensamento que Isadora jamais ousou cogitar em ter. Deslumbrantemente, desfrutava de cada momento e quando não estava com seu amado, sobrevivia das lembranças desses mesmos momentos, tudo isso poderia ser um sonho aos seus olhos, já que não detinha a idéia das conseqüências que isso poderia ter em sua vida e na dos demais.
Quando o telefone tocava, Isadora era tomada por uma onda de alegria, mas não foi o que ocorreu naquela manhã:
_ Alô!
_Quem fala?
_Com quem estou falando, com quem você quer falar?
_Você conhece o João Victor?
Alguns segundos de silencio tomaram Isadora, o coração teve uma estranha sensação de queda, (quem mais poderia saber do seu envolvimento com o João Victor?)
_ Alô!Alô!
_ sim, alô!
_ e então, você conhece o João Victor?
_sim, conheço?
_ então é isso, você é a nova amante dele, é você a mulher com quem ele está saindo?
_ Não sei do que está falando?
Subitamente Isadora desliga o telefone. Não poderia ser. Ele também tem um alguém e agora esse alguém descobriu onde ficava o seu mundo particular, onde ela contemplava aquilo que considerava um mundo á parte do mundo real em que vivia. De repente ela foi tomada pela  instabilidade como nunca, jamais tivera. O que deveria ser feito em momentos como esse, como agir? Sumir, brigar, correr, chorar ou enfrentar a situação como uma dissimulada, como seria para Isadora ser dissimulada?Já ouvira falar dessa atitude, mas jamais a praticara, talvez por falta de situações como essa, enfim, algo precisava com urgência de respostas fáceis. Isadora seguiu o impulso do instinto, ligou para João Victor! O telefone toca, toca, toca, toca, ninguém atende (ele deve não ter visto a ligação) novamente! O telefone está desligado. É o fim. Alguma coisa explodiu, ela precisa saber o que está prestes a acontecer em sua vida e o único que tem essa resposta é ele, os pensamentos se batiam dentro de sua cabeça como pessoas correndo de um lado para outro em um momento de desespero, um alvoroço incomum, ela sai de casa, mãos tremulas, o coração parece que não bate e se bate, ela não o sentiu, seu corpo se paralisa, em busca das respostas, ela desfoca sua visão, tudo está perto demais e ao mesmo tempo muito longe,  uma gota de chuva que está no telhado cai na cabeça de Isadora, isso consegue fazer sua mente pensar( pensa que a vida está em constante movimento e que nada vai parar pra poder ver a sua situação), ela então  entende que se não há pessoas, o problema não se encontra ao seu lado ( uma forma de ignorar, sentir menos dor) cinco minutos se passaram, Isadora sai e vai ao café da esquina, o tempo chuvoso, faz com que ela deseje uma cama para se aconchegar, mas mesmo assim se dirigi ao café, senta na cadeira que fica ao lado do balcão, pedi um café com chocolate, então de repente, como um flash, algo inesperado!Isadora ver Victor passando de mãos dadas com uma mulher, é a sua esposa, Isadora descobre da forma mais abrupta que nunca jamais fora a mulher da vida de Victor, volta o olhar para mesa, fixa os olhos na espuma que o café expresso faz ao redor da xícara, termina seu café e pede um outro:
_ um café forte! E uma carteira de cigarros, por favor!

sábado, 12 de novembro de 2011

Farofa humana


Dia parado, o som dos carros de propaganda que ecoam desde a rua principal até aqui, quebram o clima de isolação que o dia poderia ter, no mais compreendo que é sábado, somente mais um sábado, dia em que todos tentam esquecer-se do corre, corre da semana e consultam seu horóscopo e leem a metereologia antes de sair pela manhã á praia, é, é sábado de manhã, sábado de praia, há quem leve de casa aquele frango assado com a farofa da YOKI, a farofa temperada da YOKI é muito saborosa.
São exatamente 10h30min, nem pensem em se perguntarem como é que são exatamente 10h30min, mas são. Às vezes bate aquele desejo enorme de sair e curtir o dia de forma culturalmente-comum (junto com os farofeiros), nada contra, mas certa vez vi o desastre que é levar frango com farofa pra praia. Pela manhã se acorda mais cedo do que o normal, de fato já se tem a intenção clara, a programação certa de como será o sábado, então lavar a louça da noite e forrar o sofá da sala, com o forro de proteção que foi comprado na loja em promoção é o básico pra se fazer, depois vem à preparação mais importante, não se teve tempo, portanto essa será à hora reservada pra fazer os cantinhos (parte dos pelos pubianos), o biquíni ainda é o mesmo. Meia hora e correr faz parte de tudo mais que se poderia ter programado para esse sabadaço, um frango assado, dois refrigerantes de litro, um pote hermético de arroz branco, caneca de plástico, garfinho e colher descartável, bronzeador, sim, bronzeador, ir á praia e não pegar aquele bronze é um crime, no ônibus nada é perto do que se poderia pensar em comodidade, depois de meia hora na parada de ônibus esperando que venha um coletivo mais vago, se pega qualquer um mesmo, de fato, todos no dia de sábado pela manhã estão cheios, quando se pensa em respirar, de repente se é levado pra direita, dando de cara com um braço forte e suado, nesse momento o melhor a se fazer é prender mesmo a respiração, outro contorno e se encontra um cabelo nada que limpo, fios de cabelo no rosto é comum dentro de ônibus, parece que no sábado pela manha todas as pessoas decidiram não tomar banho, sendo assim se desce do ônibus, cansado, suado e com aquele cheiro impreguinado ao nariz, bom, enfim a praia, um sol, muita água e terra pra se poder escolher o local melhor de se estar. Pouco tempo depois de colocar os pés nas ondinhas e de molhas os cabelos no chuveiro dos quiosques, se deita na praia e se põem bronzeador, o vento forte quase não deixa se sentir o calor do sol, então é quase hora de comer, a barriga pede almoço, mas como tudo na vida vem completo, nesse momento alguém também senti fome, nossa! Telepatia de pensamentos, alguém abre a sacola do frango com farofa, o vento parece aumentar, fica assobiando, como se nada mais de ruim pudesse ficar pior, toda farofa YOKI vem voando ao encontro do óleo bronzeador em todo corpo, eis um dia de farofeiro na praia, em um sábado.

domingo, 30 de outubro de 2011

Meu Pedro e minha Preta



Dois meninos nasceram na rocinha
Dois meninos nascerá, o Pedro é o meu! A Preta é minha!
Dois meninos nasceram
E na rocinha dois meninos nasceram
Um já foi teu. Hoje é da minha preta
Que é minha e Pedro é o meu
Há quem diga que Maria antes de ser tua
Passou assim como a chuva que molha a rua,
Que molha o beco, que molha a rocinha
Molhando Pedro, a Preta quase nua
Não mais era tua
Hoje como o Pedro é meu
Ela já foi tua.

30/10/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Espera




Espero Adelma sair
Espero Leka chegar
Espero á porta bater
Espero Maria entrar
Espero shelly comer
 Pra que eu possa escrever


 Espero á noite cair
O telefone tocar
A comida digerir e o chá tem que esfriar
Espero a chuva passar
A ideia é não poupar
Quando penso em escrever, caio no sono ao deitar

Espero o barulho passar
Elos têm que se juntar
O ‘a’ rima com o ‘pá’ e o ‘pá’ com o juar
Escrevo e também espero
Espero a ideia chegar
Lápis ficam bem aqui, teclados ficam pra cá.


Flavia Mello
19/08/2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Meus Parabéns




Deitada na cama, depois de uma tarde longa de sono, Gabriel Garcia Márquez foi minha única opção de companhia, levanto, vou á cozinha, volto ao quarto, lembrei!
Á comida dos cães. Se eu não colocar eles ficam á noite com fome, ninguém por aqui se lembra de que cães sentem fome, mas voltando pra o Gabriel, descubro coisas de mim, descubro que existem coisas que desprezo, sinto repulsa, então paro a leitura, bem na hora que Genoveva Garcia descreve Martín, para mim é, seria Martins, enfim, descubro que desprezo ilhós, e tudo que faz parte dessa conjuntura de objetos que nos levam ao mundo da costura, quando era adolescente recordo de ter feito um conjunto de roupa pra mim, a costureira cortou o tecido, mas não costurou a tempo, essa foi minha primeira experiência com uma maquina de costura, acredito não ter sido isso que me frustrou, não é frustação nem nada contra quem costura, é que descobri que qualquer coisa longe do papel, lápis, pincel, tela ou livros, esmaga meu psicológico, como se me subestimasse, então eu os desprezo com a mesma força que os repudio, dá pra entender? eu entendo pouca coisa.
Agora fico avaliando quantas coisas posso desprezar quantas eu desprezo e nem ao menos sei, tudo me leva a crer que ainda sou um embrião dentro de mim, logo agora que estou perto de fazer aniversário, descubro que talvez ainda nem tenha nascido pra vida, essas descobertas me parecem coisas de crianças quando estão a aprender, elas aprendem a falar e cantam, encantam ao mesmo tempo em que são aplaudidas pelos pais, hum! Como se esse algo fosse circense, no entanto me descubro e quem me parabeniza?! Só eu mesma sinto-me satisfeita, Gabriel é um cara e tanto, além da dissertação impressionante ele ainda é meu psicólogo. Eu nos parabenizo!

Flavia Mello
18/08/2011

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Flavia Mello

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