À noite ela quase morreu, Sua voz se emudeceu.
Seu sorriso se fez água, com consistência de lagrima.
Seu relato perturbador, não expressava sua dor.
Mas expressava a loucura de uma doida às escuras
Era o pânico entrando porta adentro
Na casa que como convento era refugio pra isolações
O demônio bateu a porta, não tinha medo de pregações.
Foi-se um dia, à tardinha, foi à ajuda maculada.
O demônio queria mais nada, só projetar seu furor.
Com a voz quase entoando um canto
Relatou sem um espanto a proposta, no entanto, seu preço não foi real.
Amarga, triste e sofrida a alma pediu guarita no quarto do seu amor.
Mas o ranço era forte que nem lixo soprado por vento forte
Ela quase se vomitou, seu suor era agonia.
Parte do medo que consumia, se devora, não, por favor!
Fugiu pra sala, pro quarto, pulou na mesa quebrou o prato.
Rangeu os dentes, quis morrer de tanta dor.
O diabo não foi embora, chupando seu sangue pelas arestas das portas.
Esperava ela tremer, um bote, então ela seria de novo
A vítima do demônio louco, a carne que queria comer.
Que o deus desse diabo, o prenda com grandes vergões.
Que em baixo a construções ele possa eternizar
E a alma fique segura, sem muro, sem cela nem angustia.
Que o elo infernal possa quebrar que o demônio se jogue
Que quebre as pernas e deforme seu pensamento oscilante.
Hora covarde outra amante, hoje sarar, depois cortar.
Que morra o rei dos demônios, com todos os seus sinônimos, que morra o rei desse lugar.
Flavia Mello.
Flavia Mello.
