sábado, 30 de julho de 2011

Na casa





Nessa casa não há graça
Ficou perdida no tempo
 Nas lembranças, no contratempo
Na projeção de uma criança
No desejo descomunal
De se fazer uma herança.

Não há umbrais imponentes
Onde nascem homens valentes
De mulheres destemidas
Não que elas não quisessem
Mas quis Deus ser o único da espécie
Pra não gerar subespécie

Aqui tem água tem pão
Tem som, tem ventilador
Que ventila todo o mundo
Menos a minha dor
Que ventila o pernilongo
Menos o meu amor

Aqui tem mato molhado
Tem cão latindo, tem sapo
Geladeira e roncador
Tem tic-tac de dia
De noite tem nostalgia
Só não tem o meu amor.

Flavia Mello
20/07/2011